LEANDRO SILVA
é jornalista esportivo e escritor, autor do livro A União de uma Nação, sobre o título brasileiro de 1988, conquistado pelo Bahia, e escreve para o blog www.leandrosilva81.blogspot.com
Permita-me retornar ao ano de 1989, quando, logo após o segundo título brasileiro do Bahia, declarei que o Estado não veria uma conquista como aquela por, pelo menos, 30 anos. Não disse isso por torcer contra. Muito pelo contrário. O que eu quis dizer é que era preciso prestar atenção para a gestão. Fomos campeões pela qualidade dos jogadores, dedicação, ousadia e pela presença expressiva da nossa torcida em todos os jogos, mas o modelo de gestão já apresentava problemas. Pouca coisa mudou de lá para cá e o mais grave é que estamos em um momento diferente em que as receitas de bilheterias não são mais suficientes para cobrir as despesas.
Concordo que a Federação Baiana de Futebol tem sua parcela de responsabilidade e precisa ser mais rigorosa com relação à qualidade dos gramados dos estádios utilizados no Campeonato Baiano, porque isso interfere no nível técnico da competição. Os clubes, entretanto, são os maiores responsáveis pelo momento do nosso futebol. Os jornais de grande circulação continuam noticiando regularmente o atraso de salários, o pouco investimento na formação de atletas, a recusa em mudar os estatutos, e a ausência de eleições diretas, que inibem a ampliação do número de sócios. Pode até haver uma federação fraca, com clubes fortes, mas o contrário é inviável.
Cabe a todos nós, torcedores, atletas, dirigentes e amantes do futebol baiano realizarmos essa discussão de maneira muito clara para toda a sociedade. E é importante ressaltar que esses problemas não se restringem ao futebol, mas a todos os esportes aqui no Estado. É importante fortalecer as federações com democracia e alternância de poder. O Governo do Estado vem fazendo a sua parte com a reconstrução do estádio de Pituaçu, um dos mais modernos do País, a construção da Arena Fonte Nova, o patrocínio, alguns anos com o “Sua Nota é um Show”, e agora por meio da Embasa. Além da realização, por parte da Sudesb, em parceria com a Uneb, e participação da FBF, de um curso de gestão esportiva, para preparar os nossos dirigentes.
Desde a minha declaração em 1989, quase 22 anos já se passaram. Os clubes baianos têm, portanto, este desafio de se modernizarem, de fato, para chegar a um novo título de tamanha importância dentro dos próximos oito anos para que me desmintam. Torço para que consigam.
Bobô

"O motivo da nossa homenagem é um reconhecimento pelo trabalho dele à frente da Sudesb. Pela valorização dos ex-atletas. De vez em quando, ele pega até uns babas com a gente", disse Emo, que chegou a jogar com Bobô no Bahia.
"Eu tenho muito prazer de compartilhar alguns momentos com vocês. É sempre um ambiente muito saudável. A gente busca ajudar a associação, mas o maior trabalho é de vocês, que estão de parabéns pelo momento que a AGAP está vivendo. E espero que continuem conseguindo agregar mais pessoas como vocês", agradeceu Bobô.
Superintendente da AGAP, e ex-jogador do Vitória, Hugo falou sobre a associação. "A finalidade da AGAP não é dar o peixe, mas ensinar a pescar. Tanto para os ex-jogadores, quanto para os atletas em formação. O nosso foco é disponibilizar cursos supletivos, profissionalizantes e até superiores para que o ex-jogador consiga se inserir no mercado de trabalho, após o término da carreira", disse Hugo.
O presidente Sergio Luiz Ferreira explica ainda que a AGAP é associada à FAAP (Federação das Associações de Atletas Profissionais), entidade nacional que repassa recursos para a associação baiana, que proporciona, ainda, auxílio saúde e medicamentos para os associados que estejam doentes. A anuidade para os associados é de 55 reais.
Para maiores informações, basta acessar o site http://www.agapba.com.br/ ou enviando e-mail para agap.ba@faapatletas.com.br.
O time ficou escalado com: Nadinho (goleiro de 1959), Zanata (lateral-direito na década de 1980), Roberto Rebouças (zagueiro na década de 1970), Pereira (zagueiro de 1988) e Romero (lateral-esquerdo nos anos 1970); Baiaco (volante, década de 1970), Paulo Rodrigues (volante, 1988), Bobô (meia, 1988) e Douglas (meia, anos 1970); Marito (atacante, 1959) e Beijoca (atacante, década de 1970).
"O ex-jogador Bobô, craque que levou o Esporte Clube Bahia ao título de campeão brasileiro de 1988, além da "elegância sutil" cantada por Caetano Veloso, tem verdadeiro amor pelo cinema e pelos filmes de ação. Ele indicou um filme nacional de bastante sucesso.
O filme destacado por Bobô é Tropa de Elite (2007), do diretor José Padilha. Vencedor do prêmio Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim 2008, este filme faz parte de uma geração de obras que ajuda a recolocar a cinematografia nacional entre as melhores do mundo. Bobô prefere o Tropa 1 que o também festejado Tropa de Elite 2."
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| Paulinho - Foto: Paulo Neves |
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| Foto: Paulo Neves |

Nem por isso o camisa 10 dos azuis ganhou antipatia no Brasil, muito por causa da sua elegância tanto dentro quanto fora das quatro linhas. E este livro consegue trazer ainda mais à tona toda a retidão e generosidade deste jogador que nem parecia do mesmo mundo dos outros.
A obra conta toda a carreira do craque desde o seu descobrimento até a cabeçada que desferiu em Materazzi na decisão da Copa do Mundo de 2006. Durante o livro, os autores tentam justificar essa atitude baseada na extrema busca por justiça do craque. É um grande livro. Peca apenas na tradução para o português, utilizando muitos termos futebolísticos que não são próprios do Brasil.
LEANDRO SILVA
é jornalista esportivo e escritor, autor do livro A União de uma Nação, sobre o título brasileiro de 1988, conquistado pelo Bahia, e escreve para o blog www.leandrosilva81.blogspot.com
Foi fantástico poder ver de perto os grandes heróis da Nação tricolor. Em 1988/89, as chuteiras eram todas pretas. Foi mágico ver o eterno craque Bobô calçando modernas chuteiras brancas, como se ele pudesse se transportar para o atual momento e ajudar no resgate do velho tricolor. Os velhos passes refinados ainda responderam presente. Ver Charles, cabeça raspada, estilo Jael, e com invocados calçados amarelos também foi algo curioso.
Fico imaginando o quanto deve ter representado para cada um desses eternos heróis ter o seu nome gritado em peso, novamente, pela torcida tricolor, como o arqueiro Ronaldo, que fechou o gol no empate de 1 a 1 e levantava a torcida a cada defesaça. Mostrando ser um verdadeiro fenômeno de impulsão.
Claudir, arriscando improváveis arrancadas pela esquerda, levantava a massa. E Pereira, arrancando suspiros nas inesquecíveis cobranças de falta. Que elegância!!! Nas laterais, Tarantini demonstrou a mesma discrição enquanto Paulo Robson se aventurou na frente.
Na proteção à zaga, os dois motores do time de 1988 ainda mostraram preservar o fôlego: Paulo Rodrigues e Gil. Na esquerda, Marquinhos ainda mostrou alguma velocidade. E na direita, Zé Carlos deu a impressão de que ainda poderia ter jogado mais tempo.
Osmar, que entrou logo no lugar de Charles, também se destacou, correndo como um menino. Talvez reflexo dos babas de toda quinta-feira na AABB, quando vem, junto com o eterno Baiaco, de São Francisco do Conde, para o velho encontro com a redonda.
Zé Carlos foi um capítulo à parte. Fez até o gol do empate, no final do primeiro tempo. Do time principal do Bahia, só não esteve presente o zagueiro João Marcelo.
A grande ausência lamentada foi o eterno mestre Evaristo de Macedo, que não pôde vir. Temos que valorizar também o Internacional, que topou participar da partida. O toque de nostalgia foi completado com a presença do torcedor folclórico Lourinho, nas arquibancadas, com os bonequinhos dos jogadores do Inter amarrados.
LEANDRO SILVA
A torcida tricolor poderá reviver as emoções daquela grande final nessa partida que irá envolver os heróis daquele time que conquistou o segundo nacional do clube no dia 19 de fevereiro de 1989 e também grandes ex-jogadores do Internacional, de Porto Alegre, que tinha uma grande esquadra.
O camisa 10 daquela equipe tricolor, Zé Carlos, que está organizando o evento, garante inclusive a presença do badalado goleiro Taffarel, ídolo nacional principalmente pelas atuações decisivas para o título mundial com a Seleção Brasileira em 1994. Ele foi o melhor jogador do campeonato de 1988, mas não foi capaz de evitar os dois gols de Bobô na primeira partida da final.
Será uma oportunidade única para os torcedores tricolores reverem tantos ídolos reunidos e poderem apresentar para as novas gerações que não tiveram a felicidade de ver as atuações daquele time campeão. Um dos outros atrativos prometidos por Zé Carlos também é a presença do comandante da equipe, o técnico Evaristo de Macedo, ídolo tricolor.
A seleção, comandada pelo técnico Lucho Nizzo, utilizou a Copa 2 de Julho, promovida pela Sudesb, com o apoio da FBF, para se preparar para este mundial. a competição baiana foi fundamental para jogadores como o atacante Wellington Silva, do Fluminense. Ele aproveitou bem a sua primeira convocação e foi o artilheiro, carimbando uma vaga no voo para a Nigéria. O meia Zezinho, do Juventude, foi eleito o melhor da Copa 2 de Julho.
Dez dos 21 convocados para o Mundial participaram da Copa 2 de Julho. Estarão no grupo: os goleiros Alisson, do Internacional, e André Lucas, do Corinthians; os zagueiros Gérson, do Grêmio, e Sidimar, do Atlético Mineiro; o lateral-direito Romário, do Vitória; o lateral-esquerdo Dodô, do Corinthians; os meias Wellington, do Fluminense, e Zezinho, do Juventude; e os atacantes Felipinho, do Internacional, e Wellington Silva, do Fluminense.
LEANDRO SILVA
| Foto: Paulo Neves |
