terça-feira, 31 de agosto de 2010

Revelação da Copa 2 de Julho na seleção sub-16

Paulinho - Foto: Paulo Neves

O meio-campista Paulinho, do Esporte Clube Bahia, ganhou o prêmio de jogador revelação da Copa 2 de Julho deste ano, mesmo tendo sido eliminado, com seu clube, nas semifinais da competição. Nesta terça-feira (31/8), ele conseguiu mais uma grande conquista ao ser convocado para a seleção brasileira sub-16.
Além dele, o volante Feijão, que também disputou a Copa neste ano pelo tricolor, os zagueiros Marcus Vinícius, Josué e o meio-campista Marcelo, do Vitória, foram chamados para a preparação brasileira para o Sul-americano da categoria. Josué já havia conquistado a Copa 2 de Julho pela seleção.

Natural de Brasília, no Distrito Federal, Paulinho já passou por Corinthians, Santos e Cruzeiro e está desde o ano passado no tricolor baiano."Eu tô muito alegre. Esse é o meu primeiro troféu e espero que muitos outros venham por aí. Essa foi uma competição muito boa, muito pegada. E isso foi até bom para me dar mais experiência", disse Paulinho, no dia em que recebeu o prêmio da Copa 2 de Julho.

A Copa 2 de Julho de futebol sub-17 é realizada desde 2007 pelo Estado, por meio da Superintendência dos Desportos da Bahia - Sudesb, e conta com o apoio da Federação Baiana de Futebol (FBF). Este ano aconteceu a quarta edição da competição. O Internacional, de Porto Alegre, venceu as duas primeiras, e a seleção brasileira vencer as duas mais recentes.

domingo, 25 de julho de 2010

Seleção Brasileira é bicampeã da Copa 2 de Julho

Foto: Paulo Neves
O objetivo da comissão técnica da seleção brasileira era usar a Copa 2 de Julho sub-17 deste ano para preparar a equipe para o Sul-americano de 2011, por isso, vieram apenas jogadores sub-16. Mesmo com um grupo um ano mais novo do que os adversários (o que faz muita diferença em competições de base) e sem a pressão pela conquista do título, ela veio, com um triunfo, na decisão por pênaltis, por 5 a 3, contra o São Paulo, depois de um empate sem gols durante os 80 minutos normais e os 20 da prorrogação. Com isso, o tricolor paulista deixou a competição sem sofrer um único gol em seus nove jogos.

Depois da execução do hino nacional e do hino Dois de Julho, a partida começou no estádio Armando Oliveira, na manhã deste domingo (25/7), e a seleção brasileira começou melhor. Logo no início, Nathan invadiu pelo lado e chutou cruzado, mas a bola passou rente à trave. A segunda boa chance foi m chute de fora da área de Guilherme, para fora.

Como as melhores jogadas do Brasil nasciam nos pés do lateral-esquerdo Victor Giro, o técnico do São Paulo fez uma alteração prematura. Tirou o lateral-direito Gabriel e colocou o volante João, improvisando novamente Felipe Santos, forte na marcação, na ala-direita. Foi assim que o tricolor paulista conseguiu parar as jogadas de Rafinha, contra o Flamengo, nas quartas-de-final, e conseguiu seguir na Copa.

Logo depois, a seleção inverteu seus laterais. O time brasileiro se caracterizou durante a competição por essa constante mudança de posicionamento dos seus jogadores. Eles mudaram de lado algumas outras vezes durante a partida. No segundo tempo, de uma vez só, o Brasil colocou dois nomes fundamentais para a classificação na fase anterior contra o Vitória. Leonardo, que marcou os dois gols do confronto, e Mattheus, que deu o passe para o segundo.

A partida continuou equilibrada, mas com superioridade da seleção. A melhor chance foi de Natha, que conseguiu superar o goleiro, mas parou na trave. No rebote, Leonardo mandou por cima do gol. Antes do final do tempo normal, Mattheus ainda esteve perto de fazer um gol olímpico.

Na prorrogação, o filho do ex-atacante Bebeto, Mattheus, cobrou uma falta que parecia despretenciosa, mas a bola explodiu na trave. Depois da mudança de lado, o Brasil perdeu uma grande chance. Adryan deu um bonito passe de calcanhar e Lucas chutou para fora. No lance seguinte, Leonardo avançou pela esquerda e cruzou para área, Adryan chutou, mas Felipe fez mais uma ótima defesa.

Nos pênaltis, Luis Gustavo, Lucas, Marlon, Adryan e Mattheus converteram suas cobranças para o Brasil. Rodrigo, Hugo e Mirrai fizeram para o São Paulo, mas João chutou para fora.

Destaques - Dois jogadores da equipe campeã puderam também comemorar a conquista de prêmios individuais: Guido e Rodrigo. O primeiro, que é baiano, de Salvador, e tem um mês no Santos, depois de seis anos no Vitória, foi escolhido como melhor goleiro da competição. "Tenho que agradecer muito aos meus companheiros porque um prêmio desses não depende somente de mim, mas de todo o time. Eu gostei muito da competição porque teve um alto nível, reuniu grandes clubes do Brasil, e tem tudo para crescer cada vez mais", disse Guido.

O volante Rodrigo, escolhido como craque da Copa, ficou surpreso com a escolha e não escondeu a felicidade. "É difícil um volante ser escolhido como melhor jogador de um campeonato, por isso a surpresa, mas é um prêmio muito importante. E, principalmente o título, porque foi uma competição muito difícil. Como somos mais novos, os adversários usaram muito a força, mas a técnica prevaleceu". Por causa do estilo de jogo, o camisa 7 é comparado ao ex-volante da Seleção de 1982, Falcão. "Como jogo no Inter, todo mundo fala que pareço com ele jogando. Da minha época, eu acho o Hernanes um grande jogador, mas tenho meu próprio estilo", disse.

O atacante Guilherme, do São Paulo, ganhou o prêmio de artilheiro da competição, por ter feito nove gols. O único prêmio individual que não foi destinado às equipes finalistas foi o de revelação da Copa, que foi entregue para o meia Paulinho, do Bahia, de 16 anos. Mesmo sem ter ido jogar, o garoto marcou presença e comemorou a premiação. "Eu tô muito alegre. Esse é o meu primeiro troféu e espero que muitos outros venham por aí. Essa foi uma competição muito boa, muito pegada. E isso foi até bom para me dar mais experiência", disse o jogador, natural de Brasília, no Distrito Federal, que já passou por Corinthians, Santos e Cruzeiro e está desde o ano passado no tricolor baiano.

Seleção Brasileira: Guido, Lucas, Josué, Luiz Gustavo e Victor Giro; Emerson, Rodrigo, Marlon, Guilherme (Mattheus); Nathan (Adryan) e Lucas Piazon (Leonardo).
São Paulo: Felipe Passoni, Gabriel Modesto (João), Marcelo, Luiz e Miranda; Rodrigo, Felipe Santos (Almir Gullitt), Allan (Xavier) e Aílton (Mirrai); Ademilson Henry (Xavier) e Bruno Catanhede.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Destaques da Copa 2 de Julho já atuam entre os profissionais na Série A



No ano passado, o meio-campista Zezinho e o atacante Wellington Silva foram os grandes destaques da 3ª edição da Copa 2 de Julho de futebol sub-17, organizada pelo Governo do Estado, por meio da Sudesb, na conquista da seleção brasileira da categoria. Na ocasião, Zezinho foi escolhido como melhor atleta da competição e Wellington foi o artilheiro.

Este ano, os dois já atuaram por suas equipes no Campeonato Brasileiro da Série A.Zezinho estreou na competição no último domingo (23/5), no triunfo da sua equipe, o Santos, contra o Atlético Goianiense, por 2 a 1, pela terceira rodada. Já Wellington entrou no decorrer das duas primeiras partidas do Fluminense na competição, contra Ceará e Atlético Goianiense.

As atuações dos dois garotos na última Copa 2 de Julho ajudaram a conseguir transferências para outros clubes. Na época da competição, Zezinho estava no Juventude, onde atuou entre os profissionais na última Série B, e Wellington Silva já jogava no Fluminense, onde permanece. O atacante, entretanto já foi negociado com o Arsenal, da Inglaterra.

Dois outros destaques da seleção na conquista da Copa 2 de Julho de 2009, o atacante Marcelo e o lateral-esquerdo Dodô ganham espaço em seus clubes. O centroavante foi titular nos dois primeiros compromissos do Atlético Paranaense na Série A, enquanto o lateral é reserva de um dos maiores jogadores da posição na história do futebol brasileiro, Roberto Carlos, e conseguiu ser inscrito na Taça Libertadores da América. A quarta edição da competição acontecerá entre 14 e 25 de julho.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Bobô recebe título de cidadão soteropolitano

A “elegância sutil de Bobô”, cantada por Caetano Veloso na música Reconvexo, foi relembrada pelo vereador Henrique Carballal (PT) ao homenagear o ex-jogador do Bahia e da Seleção Brasileira, atual diretor-geral da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), com a concessão do Título de Cidadão de Salvador. Além de craque no campo, onde conquistou vários títulos, Bobô tem se revelado também no incentivo aos esportes e na área social, segundo o vereador.

Natural do município baiano de Senhor do Bonfim, Raimundo Nonato Tavares da Silva foi condecorado em sessão solene da Câmara Municipal, na noite de quinta-feira (6), no Plenário Cosme de Farias. “Bobô deixou um marco na história do clube tricolor, com a conquista do título do Campeonato Brasileiro de 1988”, frisou o vereador Carballal.

E acrescentou que à frente da Sudesb o ex-jogador vem trabalhando com afinco para melhorar o esporte, principalmente no interior do estado. “Recebe a todos com a mesma simplicidade com que jogava futebol. E faz gols, do mesmo nível técnico e com a mesma qualidade de quando calçava as chuteiras”, comparou.

Campanha de Acessibilidade

Além de craque com vários títulos conquistados, tanto em nível estadual quanto nacional, Bobô, segundo Carballal, tem se destacado na área social, sendo desde 1999 embaixador da Aldeia Infantil SOS de Lauro de Freitas, entidade que abriga crianças órfãs em situação de risco. Recentemente, Bobô aderiu à Campanha Nacional de Acessibilidade, que, como explicou o vereador, “visa à sensibilização e mobilização da sociedade para a eliminação das barreiras que impedem as pessoas com a deficiência ou com mobilidade reduzida a participarem efetivamente da vida em sociedade”.

Trajetória

Bobô começou a carreira atuando na Catuense. Com o sucesso no Bahia foi convocado para a Seleção Brasileira, em 1989, e passou pelo Corinthians, São Paulo, Internacional, Fluminense e Flamengo. Foi o treinador do Bahia entre 2002 e 2003, quando conquistou o título da Copa do Nordeste de 2002. Os melhores momentos da carreira foram exibidos em um vídeo que emocionou o ex-jogador.

Ao agradecer a homenagem, Bobô revelou que já se sentia soteropolitano, certidão que agora ostenta de fato e de direito. E assumiu o compromisso de trabalhar ainda mais para popularizar e democratizar o esporte local. A comunidade do município de Senhor do Bonfim também prestigiou a sessão solene, colocando na mesa uma faixa expressando o “orgulho do filho ilustre”.

A sessão foi presidida pelo vereador Téo Senna (PTC) - quando Carballal foi discursar - que convidou para a entrega da honraria a mulher do homenageado, Andreia, e as filhas do casal. Presentes na mesa, ainda, o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB); o coronel Nilton Régis Mascarenhas, comandante-geral da Polícia Militar; os deputados estaduais Walmir Assunção, Capitão Tadeu e Fátima Nunes; o prefeito de Senhor do Bonfim, Paulo Machado; e o juiz Aliomar Brito.

Texto do site da Câmara Municipal de Salvador

quarta-feira, 3 de março de 2010

Zinedine Zidane - resenha


O livro Zinedine Zidane, de Jean Phillipe e Patrick Fort, conta a vida de um dos maiores, se não o maior, carrasco da Seleção Brasileira, o ex-jogador francês Zidane, que marcou dois gols na decisão da Copa do Mundo de 1998, e ainda acabou com o time de Parreira nas quartas-de-final da Copa de 2006.

Nem por isso o camisa 10 dos azuis ganhou antipatia no Brasil, muito por causa da sua elegância tanto dentro quanto fora das quatro linhas. E este livro consegue trazer ainda mais à tona toda a retidão e generosidade deste jogador que nem parecia do mesmo mundo dos outros.

A obra conta toda a carreira do craque desde o seu descobrimento até a cabeçada que desferiu em Materazzi na decisão da Copa do Mundo de 2006. Durante o livro, os autores tentam justificar essa atitude baseada na extrema busca por justiça do craque. É um grande livro. Peca apenas na tradução para o português, utilizando muitos termos futebolísticos que não são próprios do Brasil.

LEANDRO SILVA
é jornalista esportivo e escritor, autor do livro A União de uma Nação, sobre o título brasileiro de 1988, conquistado pelo Bahia, e escreve para o blog www.leandrosilva81.blogspot.com

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Reedição da final de 1988 marcou reencontro de heróis tricolores

Este dia 13 de dezembro de 2009 foi muito especial para a torcida tricolor por causa do jogo comemorativo entre os masters de Bahia e Internacional para relembrar a decisão do Brasileiro de 1988, uma das duas maiores conquistas do clube.

Foi fantástico poder ver de perto os grandes heróis da Nação tricolor. Em 1988/89, as chuteiras eram todas pretas. Foi mágico ver o eterno craque Bobô calçando modernas chuteiras brancas, como se ele pudesse se transportar para o atual momento e ajudar no resgate do velho tricolor. Os velhos passes refinados ainda responderam presente. Ver Charles, cabeça raspada, estilo Jael, e com invocados calçados amarelos também foi algo curioso.

Fico imaginando o quanto deve ter representado para cada um desses eternos heróis ter o seu nome gritado em peso, novamente, pela torcida tricolor, como o arqueiro Ronaldo, que fechou o gol no empate de 1 a 1 e levantava a torcida a cada defesaça. Mostrando ser um verdadeiro fenômeno de impulsão.

Claudir, arriscando improváveis arrancadas pela esquerda, levantava a massa. E Pereira, arrancando suspiros nas inesquecíveis cobranças de falta. Que elegância!!! Nas laterais, Tarantini demonstrou a mesma discrição enquanto Paulo Robson se aventurou na frente.

Na proteção à zaga, os dois motores do time de 1988 ainda mostraram preservar o fôlego: Paulo Rodrigues e Gil. Na esquerda, Marquinhos ainda mostrou alguma velocidade. E na direita, Zé Carlos deu a impressão de que ainda poderia ter jogado mais tempo.

Osmar, que entrou logo no lugar de Charles, também se destacou, correndo como um menino. Talvez reflexo dos babas de toda quinta-feira na AABB, quando vem, junto com o eterno Baiaco, de São Francisco do Conde, para o velho encontro com a redonda.


Zé Carlos foi um capítulo à parte. Fez até o gol do empate, no final do primeiro tempo. Do time principal do Bahia, só não esteve presente o zagueiro João Marcelo.


A grande ausência lamentada foi o eterno mestre Evaristo de Macedo, que não pôde vir. Temos que valorizar também o Internacional, que topou participar da partida. O toque de nostalgia foi completado com a presença do torcedor folclórico Lourinho, nas arquibancadas, com os bonequinhos dos jogadores do Inter amarrados.


LEANDRO SILVA

é jornalista esportivo e escritor, autor do livro A União de uma Nação, sobre o título Brasileiro de 1988, conquistado pelo Bahia, e escreve para o blog http://www.leandrosilva81.blogspot.com/

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Bobô atuará na reedição da final entre Bahia e Inter, em dezembro de 2009

Camisa 8 da maior conquista da história do tricolor, Bobô atuará novamente junto com seus antigos companheiros do título brasileiro de 1988 com a camisa do Bahia na reedição da grande final daquele Campeonato Brasileiro, que acontecerá no dia 13 de dezembro, em Pituaçu.

A torcida tricolor poderá reviver as emoções daquela grande final nessa partida que irá envolver os heróis daquele time que conquistou o segundo nacional do clube no dia 19 de fevereiro de 1989 e também grandes ex-jogadores do Internacional, de Porto Alegre, que tinha uma grande esquadra.

O camisa 10 daquela equipe tricolor, Zé Carlos, que está organizando o evento, garante inclusive a presença do badalado goleiro Taffarel, ídolo nacional principalmente pelas atuações decisivas para o título mundial com a Seleção Brasileira em 1994. Ele foi o melhor jogador do campeonato de 1988, mas não foi capaz de evitar os dois gols de Bobô na primeira partida da final.

Será uma oportunidade única para os torcedores tricolores reverem tantos ídolos reunidos e poderem apresentar para as novas gerações que não tiveram a felicidade de ver as atuações daquele time campeão. Um dos outros atrativos prometidos por Zé Carlos também é a presença do comandante da equipe, o técnico Evaristo de Macedo, ídolo tricolor.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Baiano que disputou a Copa 2 de Julho vai jogar o Mundial sub-17

O lateral-direito baiano Romário, do Vitória, disputou, conquistou e fez gol na decisão da 3ª Copa 2 de Julho de futebol sub-17, contra a Portuguesa, atuando pela seleção brasileira. No ano passado, ele já havia disputado a competição pelo rubro-negro baiano. E agora irá disputar o Mundial da categoria, de 24 de outubro a 15 de novembro, na Nigéria.

A seleção, comandada pelo técnico Lucho Nizzo, utilizou a Copa 2 de Julho, promovida pela Sudesb, com o apoio da FBF, para se preparar para este mundial. a competição baiana foi fundamental para jogadores como o atacante Wellington Silva, do Fluminense. Ele aproveitou bem a sua primeira convocação e foi o artilheiro, carimbando uma vaga no voo para a Nigéria. O meia Zezinho, do Juventude, foi eleito o melhor da Copa 2 de Julho.

Dez dos 21 convocados para o Mundial participaram da Copa 2 de Julho. Estarão no grupo: os goleiros Alisson, do Internacional, e André Lucas, do Corinthians; os zagueiros Gérson, do Grêmio, e Sidimar, do Atlético Mineiro; o lateral-direito Romário, do Vitória; o lateral-esquerdo Dodô, do Corinthians; os meias Wellington, do Fluminense, e Zezinho, do Juventude; e os atacantes Felipinho, do Internacional, e Wellington Silva, do Fluminense.


LEANDRO SILVA

é jornalista esportivo e escritor, autor do livro A União de uma Nação, sobre o título brasileiro de 1988, conquistado pelo Bahia, e escreve para o blog http://www.leandrosilva81.blogspot.com/

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Baiano faz gol na final e seleção brasileira é campeã da Copa 2 de Julho

Foto: Paulo Neves
No mês passado, o baiano Daniel Alves, com a camisa 13 da Seleção Brasileira às costas, fez um gol decisivo, na semifinal contra a África do Sul, para o título da Copa das Confederações. Neste domingo (12/7), outro baiano, com o mesmo número, Romário, que também é lateral-direito, fez o gol que abriu o caminho para a vitória de 2 a 0 da Seleção sub-17 sobre a Portuguesa. O resultado deu o título da 3ª edição da Copa 2 de Julho à seleção canarinho. A competição é promovida pela Sudesb com o apoio da Federação Baiana de Futebol. O Armando Oliveira, em Camaçari, recebeu cerca de 6 mil torcedores para a decisão.
Antes da partida, houve uma cerimônia que contou com a presença de Raimundo Nonato, Bobô, diretor geral da Sudesb; Ednaldo Rodrigues, presidente da FBF; Elias Dourado, chefe de gabinete, da SETRE; Sinval Vieira, coordenador de excelência da Sudesb; além de outras autoridades locais. Os times ficaram perfilados e ouviram as execuções dos hinos do Brasil e da independência da Bahia.
Elias Dourado falou sobre a Copa 2 de Julho. "Essa Copa é uma iniciativa que em pouco tempo deu certo. E hoje tem um papel fundamental nessa faixa de idade. E o importante é que é justamente nela que os clubes estão de olho. A nossa expectativa é que ela venha a se firmar na categoria sub-17 como é a Copa São Paulo na categoria sub-18. Bobô voltou a ressaltar a importância da competição para fomentar o esporte na Bahia, dando a oportunidade de seleções locais disputarem partidas contra grandes clubes e até mesmo a Seleção.

O JOGO
A partida começou com muita marcação, o que fez com que os dois times tivessem poucas chances de gol. Aos 10 minutos, Zezinho entrou pela esquerda da área e bateu cruzado, mas o centroavante não alcançou. A Portuguesa deu a resposta no minuto seguinte, quando Ivan fez boa jogada pela direita, foi ao fundo, e cruzou para a área. Dessa vez, foi o centroavante Aílton que não alcançou.

Aos 15 minutos, o baiano com nome de craque, Romário fez grande jogada pela direita, pedalou e chutou de fora da área. O goleiro Gustavo falhou e o Brasil abriu o placa para festa da torcida presente. Outro momento de vibração para a torcida aconteceu três minutos depois. Ivan percebeu que o goleiro Alisson estava adiantado e tentou encobri-lo do meio de campo. No entanto, o arqueiro da Seleção se recuperou e fez uma grande defesa, arrancando aplausos.

Aos 25 minutos, Zezinho sentiu uma contratura muscular e deixou o campo para a entrada do segundo baiano do grupo, o meia Emerson. Aos 27 minutos, o Brasil fez uma grande jogada pela esquerda com Marcelo. Ele tocou para Wellington, que dominou bonito para a esquerda, mas foi travado na hora do chute. No rebote, Emerson chutou forte, mas o goleiro fez uma defesa difícil. O lance plasticamente mais bonito do primeiro tempo aconteceu aos 40 minutos, quando o camisa 10 da Lusa, Natal, deu um drible dando um giro de 360º que lembrou um antigo camisa 10 da seleção francesa, Zidane.

No segundo tempo, com o título nas mãos, a seleção diminuiu o ímpeto, fazendo com que o ritmo do jogo ficasse mais lento. Aos 7 minutos, Felipinho ainda perdeu uma chance clara de gol. Uma outra boa jogada aconteceu quando Wellington Silva, Wellington e Emerson triangularam na entrada da área, mas o baiano chutou por cima. No finalzinho do jogo, Wellington Silva sofreu um pênalti. E, aos 40 minutos, cobrou para balançar as redes e fechar o placar do jogo, garantindo o título para a Seleção Brasileira.

Depois do jogo, o capitão da Seleção, Gérson, reuniu o grupo para retribuir o carinho da torcida baiana que marcou presença e apoiou durante todo o tempo o time brasileiro. Depois, ele ainda carregou o troféu de campeão.

A Portuguesa perdeu a final, mas pode se orgulhar de ter sido o melhor clube da competição. O supervisor das divisões de base, Manoel Ramos, elogiou a organização. "O pessoal não deixou a gente na mão hora nenhuma. O pessoal de Feira de Santana foi fantástico. Não tem nem o que falar. Quando tem coisa ruim, a gente tem um caminhão de coisa para falar, né? É igual a árbitro. Quando ele não é comentado é porque foi bem".
O diretor de futebol de base do clube, Paulo Dogo, elogiou o nível da competição. "Pode se chamar essa copa de campeonato brasileiro da categoria". Ele elogiou o nível dos atletas e já contratou Galego, do real Minas. Ele disse que observou ótimos jogadores no Fluminense de Feira, mas não iria divulgar nomes, poisainda não fechou com eles.
Ficha Técnica:

Brasil:1 Alisson, 13 Romário (2 Alex), 3 Gerson, 14 Gerson Junior e 6 Dodô; 8 Patrick, 20 Warley, 11 Zezinho (7 Emerson) e 10 Wellington ( 16 Jeferson); 17 Felipinho (19 Wellington Silva) e 9 Marcelo (18 Lucas). Técnico: Lucho Nizzo.

Portuguesa: 1 Gustavo, 3 Guilherme, 5 Yago e 13 Bolacha; 14 Ivan, 7 Cimar, 8 Murilo, 10 Natal (Gimenes), 15 Jailson (9 Rodrigo) e 6 Alexandre (2 Ricardinho); 17 Aílton (18 Diego). Técnico: Rúbio Alencar.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Entrevista com Evaristo de Macedo sobre o título brasileiro de 1988

LEANDRO SILVA | Qual o segredo para grandes vitórias, a exemplo daquela contra o São Paulo, no Morumbi, e a goleada contra o Santos?
EVARISTO DE MACEDO | Acho que o nosso time tinha uma coisa muito importante, que era a confiança.Quando nós fomos jogar contra o São Paulo, uma grande equipe, não tínhamos que estar preocupados com o ambiente que envolvia o jogo. Porque, às vezes, nos deixamos levar... Nós enfrentamos essas boas equipes conscientes da nossa qualidade. Nós não fomos para jogar recuados. Jogamos de igual pra igual. Eles também tinham que se preocupar. Eles que se preocupassem com a gente. E se preocupavam. A verdade é essa.

LS | Aquelas declarações atribuídas ao senhor de que o time era fraco, eram só jogada?
EM | Deixa eu te explicar. A gente recebia críticas no início. Então, no deboche, a gente dava respostas como ‘Nosso time não joga nada, mesmo. Você tem razão’. Era uma resposta que não dizia a verdade, mas estava no mesmo nível do que era falado sobre nós. A gente, às vezes, faz umas concordâncias mais para contrariar o que foi dito do que para concordar. Confiei plenamente desde o início.

LS | Paulo Rodrigues gosta de dizer que alcançou um tempo em que o jogador quando dava um bico ficava com vergonha e que o time do Bahia era muito técnico. Era uma preocupação só dos jogadores?
EM | Era uma preocupação nossa. Nós escolhíamos jogadores técnicos. O único do time que era discutível era o Tarantini, que eu trouxe do interior. Acho que até por ser baiano. Ele nos ajudava muito ali atrás. Os outros jogadores eram tecnicamente muito bons. O Bobô, o Zé Carlos, o Paulo Rodrigues... A grande virtude do nosso time era saber partir pra cima desde o início, pegar o time adversário de surpresa.

LS | Falando nisso, até hoje muitos dizem que o Bahia foi campeão ‘apesar de Tarantini’. O que o senhor acha disso?
EM | É um preconceito porque na época o Bahia tinha um lateral chamado Zanata, só que ele não se enquadrava nos moldes da equipe. Nós tínhamos uma equipe de rapazes dedicados. E ele não era. Chegava atrasado, não tinha o mesmo comprometimento. Eu cheguei à conclusão de que era melhor afastá-lo. Eu achava ele muito bom,mas essa convivência dele com o grupo foi desgastando. E ficou na imagem da torcida aquele lateral que atacava, que subia. Mas, pra mim, o que interessava eram laterais mais defensivos. Precisávamos de um lateral que cobrisse melhor o lado dele e ajudasse os zagueiros. Até porque eu liberava os volantes. Ele era um bom jogador.
Um jogador forte, que conhecia bem a posição dele. E isso não era muito entendido. Porque a ação ofensiva do Zanata, Zé Carlos fazia muito bem.

Entrevista publicada originalmente no Jornal A Tarde
LEANDRO SILVA é jornalista esportivo e escritor, autor do livro A União de uma Nação, sobre o título brasileiro de 1988, conquistado pelo Bahia, e mantém o blog http://www.leandrosilva81.blogspot.com/

segunda-feira, 19 de maio de 2008

E agora, meu craque?

Leandro Silva

O mal de Alzheimer (doença degenerativa do cérebro) está sendo impiedoso com o ex-zagueiro Onça, de 64 anos, vivendo da ajuda de parentes em sua cidade, Santaluz, onde reside sozinho numa casa simples próxima ao velho estádio municipal. Não é difícil ver o homem que já fez pose no Maracanã no time do Flamengo que tinha Ubirajara, Reyes, Tinteiro, Fio Maravilha e Caldeira, em 1971, perambulando pela cidade.

Onça é mais um ídolo do passado a enfrentar situações tristes, assim como o campeão mundial Nilton Santos, lateral campeão mundial pelo Brasil em 1958, que tem até verbete em enciclopédia, internado no Rio de Janeiro com a mesma doença, e muitos outros. Afinal, os heróis também sangram.

“Tem muita gente que não está em boa situação, não. Muitos também fizeram bobagem e perderam tudo que tinham. Existem jogadores que não tiveram a oportunidade de estudo e não têm uma profissão definida”, comenta Iberê, ex-goleiro do Vitória, hoje médico ortopedista.

psicológico – “A questão de transição da carreira é muito importante. Porque ela é breve e, se o jogador não tiver se preparado bem, pode ficar sem rumo. Por isso, é necessária essa preparação, principalmente porque alguns atletas têm medo desse momento e tentam protelar suas carreiras, mesmo sem ter o mesmo rendimento”, explica o psicólogo Rafael Tedesqui.

“O jogador imagina que nunca vai parar de jogar. Não que eu tenha feito uma programação em cima disso, mas fui convidado para trabalhar na (rádio ) Sociedade logo depois do final da carreira. Fui um dos primeiros a ser comentarista”, diz o ex-meia-esquerda Eliseu Godoy, apresentador e comentarista.

Quando consegue engrenar em uma outra profissão ligada ao futebol, logo em seguida ao final da carreira, essa transição é facilitada, como Eliseu, que jogou no Santos na época de Pelé e muitos anos no Bahia, no final da década de 60 e início dos anos 70.

Normalmente, as atividades preferidas dos ex-jogadores são a de treinador e comentarista. Mas nem sempre encontram vagas no mercado. Para Douglas, amigo de Eliseu desde menino, no Santos, ter se mantido sempre envolvido com o meio também ajudou. “Eu sou um privilegiado porque estou sempre trabalhando com ex-atletas e ainda jogando”, diz.

O ex-meia Zé Carlos, campeão brasileiro pelo Bahia, é outro que se mantém no futebol. Ele é responsável pelas escolinhas do Inter em Salvador.

opção - Enquanto alguns conseguem se manter, outros migram para áreas improváveis, como o ex-goleiro do Vitória e do Leônico Iberê, hoje médico.
“Fazia faculdade de Medicina quando jogava. As viagens atrapalhavam, mas depois recuperava. Sabia que no dia de parar precisaria continuar batalhando. Sem ter nada, fica difícil”, procura ensinar Iberê.

Alguns até abandonaram a carreira por causa dos estudos, como Pitada e Aliomar. Pitada jogou no Leônico e no Botafogo e abandonou a carreira com 24 anos para se dedicar aos livros. Hoje é médico.

Já Aliomar Britto, que defendeu Bahia e Vitória, abandonou o futebol aos 27 anos para se dedicar ao Direito. Hoje é juiz, atuando como desembargador substituto no Tribunal de Justiça. O ex-goleiro Ronaldo, campeão brasileiro com o Bahia em 88 e finalista da Série A em 93 com o Vitória, forma-se em Direito este ano.

Existem alguns ex-jogadores fominhas, que sentem falta, mesmo, é de estar dentro de campo fazendo o que mais gostam. O inesquecível Baiaco é um deles. “O que eu senti mais falta foi deixar de jogar bola. Se não é o meu joelho, eu tô até hoje jogando o Intermunicipal”.

Geralmente às quinta-feiras, aos 58 anos, sai de São Francisco do Conde, onde foi funcionário municipal, para bater uma bolinha na AABB com outras cobras-criadas como Zé Eduardo, Zé Augusto, Osmar e Maílson.

“Sinto a mesma falta do torcedor do Bahia: de um jogador como eu defendendo o clube hoje”, diz Baiaco. Não se arrepende de ter recusado propostas de clubes como o Flamengo, devido à identificação com o tricolor.

Irmão de Caetano, contratado com Baiaco pelo Bahia na década de 60, o ex-atacante Osmar, campeão brasileiro com o tricolor em 88 e também aposentado, é outro que não se afastou do futebol. “A minha parada foi precoce, ainda tinha gás”, diz. Ele deixou os gramados com 42 anos, idade de Romário.

O ex-meia Zé Eduardo, ídolo de Bahia e Vitória nas décadas de 60 e 70, também ainda bate sua bolinha na tranqüilidade da aposentadoria. “Mesmo em uma época em que não se ganhava dinheiro para ficar rico, deu para juntar um pouco e nunca passei dificuldade”, garante outro aposentado do INSS, que tentou o comércio, mas se quebrou no investimento no governo Collor.

O ex-zagueiro Zé Augusto, outro que conseguiu se aposentar graças a empregos na área privada, também não dispensa um baba. “A felicidade que eu tenho do futebol foi ter vestido a camisa 3 do Bahia por 10 anos, e o carinho da torcida, mas em termos de respaldo, não teve muito”.

Assédio – “Na hora que você é idolatrado, a auto-estima vai lá pra cima. Depois a gente cai no esquecimento. Conheço muita gente com depressão por causa disso. Vários continuaram achando que iam chegar no lugar e dizer eu sou fulano de tal e receber o mesmo tratamento, mas não é assim”, diz Eliseu.

Eliseu continua sendo parado nas ruas, não só pelo que fez nos campos. “O pessoal da faixa dos 40 pra cima ainda me pára pelo que me viu jogar. Aí o filho vem falar pois me conhece da TV”.

O ex-meia Emo, aposentado, prefere assistir aos jogos pela TV. “Não vou aos estádios, porque quando ouço a torcida gritar, dá vontade de estar lá dentro”.

Matéria publicada originalmente no Jornal A Tarde do dia 18/05/2008LEANDRO SILVA
é jornalista esportivo e escritor, autor do livro A União de uma Nação, sobre o título brasileiro de 1988, conquistado pelo Bahia, e mantém o blog www.leandrosilva81.blogspot.com

Exemplo de redenção após o final da carreira


Leandro SilvaO auxiliar técnico do Bahia Jorge Augusto Ferreira Aragão é um exemplo de profissional correto e admirado. Ele é uma peça respeitada no Fazendão e se prepara até para concorrer novamente à vereança de Salvador.

O ex-jogador Beijoca, lendário ídolo do mesmo clube na década de 70, era um artilheiro que tinha uma igual aptidão para arrumar confusões dentro e fora de campo. E ainda sofria com o alcoolismo. O que eles têm em comum, então?

Eles são a mesma pessoa. Ou melhor, Beijoca, aos 54 anos, não é mais o mesmo. E a redenção veio antes que aqueles que se alegraram com seus gols se entristecessem com sua morte. “Pra mim, foi a última tentativa. Teve momentos em que pensei em tirar minha vida”, confessa.

A salvação foi se tornar evangélico, anos atrás. “As pessoas pensavam que eu ia morrer bebendo depois que parei de jogar. Mudei para melhor, me converti, parei de beber e hoje prego nas igrejas. Tenho uma vida abençoada por Jesus”.

Mas essa mudança não aconteceu logo depois do final da carreira. “Eu ainda tive uma caminhada de dificuldades, envolvido com as coisas do mundo, muita farra, bebidas, muitas brigas. Mas há sete anos, eu conheci Jesus e minha vida mudou. Hoje sou missionário”.

Antes Beijoca chegou ao fundo do poço. “Na verdade, eu perdi tudo. E fiquei sem condições de pagar nem um aluguel de 50 a 70 reais. Passei a morar de favor com minha mulher e meu filho”, revela emocionado.

Mas a força de vontade e a fé fizeram com que ele se reconstruísse. “Deus me deu tudo de volta. Hoje eu sou uma peça importante aqui no Bahia”.

Passado – Apesar da mudança, o ex-craque não renega o passado. “Acho que tudo isso me ajudou. Aí você pode perguntar: ‘Pô. Você brigar, ajudou? Como? Ajudou porque eu fazia tudo aquilo diante de uma nação que é a torcida do Bahia. Eu fazia aquilo tudo pela torcida, para ganhar”.

E continua: “Dentro de campo, eu voltaria a fazer tudo porque o Bahia é minha paixão, meu orgulho”.Ele não se furta a falar sobre nenhum assunto do seu passado. “Bebidas, prostitutas, envolvimento em alguma parte da minha vida até com drogas. Tudo isso eu larguei”, conta.

E os casos famosos de confusão? Uma vez, no Flamengo, ele estava no banco, entrou no jogo e deu um soco no jogador Mococa do Palmeiras.Muitos afirmam que o técnico Cláudio Coutinho mandou que ele entrasse e fizesse isso. “Aquilo que aconteceu no Flamengo não foi mandado por ninguém. Isso que falam é uma mentira. Foi uma coisa de momento, mas o técnico me colocou em um momento que ele sabia que eu ia fazer besteira. Mas ele não mandou, nada”.

Outra: “Teve um jogo Bahia e Fluminense e dentro de uma briga generalizada, eu dei um murro em um jogador chamado Oliveira, do Fluminense, e ele perdeu a visão de um olho. Eu gostaria de encontrá-lo para pedir desculpas” diz emocionado.

E mais: “No Carnaval, quando saía nas Muquiranas, uma pessoa caiu em um tacho de acarajé. Falam que peguei o tacho fervendo e joguei em uma pessoa. Mentira. Se eu tivesse feito isso, minha mão não estaria assim (sem marcas)”.

Matéria publicada originalmente no Jornal A Tarde do dia 18/05/2008

LEANDRO SILVA
é jornalista esportivo e escritor, autor do livro A União de uma Nação, sobre o título brasileiro de 1988, conquistado pelo Bahia, e mantém o blog http://www.leandrosilva81.blogspot.com/

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Raio-X das lesões no futebol


Leandro Silva

"Jogador de futebol que não tem dor não é jogador de futebol". A declaração do atacante Luisão, campeão com a Seleção Brasileira na Copa de 2002, é cada vez mais verdadeira se for analisado o alto número de lesões que vitimaram muitos craques pelos gramados no mundo, alguns nunca mais voltando a brilhar.

O atacante se recupera de uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho. Ele já fez nove cirurgias em sua carreira e quer voltar a jogar. Lesões que não deixam de ser paradoxo para o esporte, que tem a finalidade de gerar e não diminuir a saúde.

O futebol é um esporte de contato, mas isso não é determimante para lesões graves, no entendimento de especialistas em Medicina Esportiva. “A maior incidência das lesões ocorre nas contusões, nos traumatismos, mas não são necessariamente as mais graves. Nestas, muitas vezes, a pessoa está sozinha”, afirma Marcos Lopes, do Bahia.

“A lesão muito freqüente no joelho é no ligamento cruzado anterior. É grave, mas quase sempre não ocorre por trauma provocado pelo choque entre atletas”, complementa Rodrigo Vasco da Gama, médico do Vitória e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho.

Outras lesões freqüentes, para os médicos, são as ligamentais ou meniscais nos joelhos, as musculares e as entorses. E em menor freqüência, mas também graves, as fraturas e o rompimento do tendão de aquiles, que vitimou Preto, do Bahia, em 2007.

Companheiro de Luisão na Copa de 2002, Ronaldo entristeceu o mundo, mais uma vez, em 13 de fevereiro, quando caiu sozinho e teve outro rompimento do tendão patelar do joelho, agora o esquerdo. A imagem da queda solitária é quase um símbolo da fragilidade do corpo humano diante das exigências do futebol profissional moderno.

“A gravidade da lesão não depende do trauma direto. E as lesões tendíneas, como a de Ronaldo, por exemplo, principalmente no joelho, são as mais graves”, diz Marcos Lopes.

As contusões musculares também não necessitam de contato. Quem esquece quando Romário interrompia o seu tradicional pique, colocava a mão na coxa ou na virilha e deixava o gramado imediatamente?

O grande número de saltos, giros, mudanças bruscas de direção e velocidade torna o futebol um esporte com alto índice de lesões indiretas.

Vilões – Rodrigo Vasco da Gama não acredita que tenha aumentado o número de lesões graves no futebol. “Acho que seja uma fase. Ultimamente, alguns atletas vêm sofrendo lesões, mas eu não acredito que tenha aumentado, não”, opina o médico.

Mas quais seriam as causas das lesões, mesmo que elas não tenham aumentado? Alguns vilões apontados são o excesso de jogos, a carga excessiva de treinamentos e os tipos de chuteira.

“O tipo de treinamento é fator importantíssimo na soma das lesões. Treinamento e condicionamento. Quanto mais o indivíduo treina, quanto menor o intervalo de um jogo para outro, maior o risco de lesão. E quanto pior o condicionamento, maior o risco de lesão”, diz Marcos Lopes.

Vasco da Gama também enaltece a importância de um bom condicionamento físico. “Um atleta bem condicionado fica menos vulnerável às lesões. Se ele não estiver bem condicionado, pode ter uma lesão qualquer muscular, com um mínimo de esforço”, diz.
ênfase física – Sinval Vieira, ex-diretor do Vitória, conta que na época em que trabalhava nas divisões de base do clube, um dos problemas físicos mais recorrentes nos jogadores era a pubalgia, causada pelo excesso de preparação física.

Para o médico Rodrigo Vasco da Gama, as queixas procedem, pois o excesso de trabalho nos clubes favorece o desgaste dos ligamentos e causa realmente problemas no púbis.

“Um jogador que atua 90 minutos precisaria pelo menos de 48 a 72 horas sem atividade para recuperar as micro-lesões. Pode fazer regenerativo, mas treinamento com bola, não”, explica Marcos Lopes.

“A gente acabou com os coletivos no Bahia. Antes, quando o time jogava no domingo, os treinadores faziam coletivo na terça, para jogar na quarta. Coletivo é uma partida de futebol. Hoje, o time joga domingo, faz regenerativo na segunda, técnico tático na terça para jogar quarta. É o perfeito, porque quanto mais aumenta a carga, ela vai lesando devagar o músculo até que ele explode. Tanto o músculo quanto os tendões e a cartilagem”.

O excesso de partidas no ano é outro ponto em que os médicos dos dois clubes concordam como sendo um dos principais agentes causadores de lesões. Para eles, o ideal seria um jogo por semana.

Chuteiras – Eles discordam apenas quanto à possibilidade de determinados modelos de chuteira contribuírem para as lesões nos joelhos.

“Alguns predispõem que jogadores tenham esse tipo de lesão. O ideal seria a chuteira se adaptar ao seu pé e não o seu pé à chuteira. Mas a grama alta e determinados tipos de solo também favorecem o surgimento de lesões”, avalia Marcos Lopes.

Rodrigo Vasco da Gama discorda: “Não tenho experiência para falar disso, mas acho que não tem influência, não. Algumas são mais confortáveis que outras, mas não acho que contribuam para lesões, não”.

Marcos Lopes explica como a chuteira pode influenciar. “Quanto maior a trava, maior o risco de lesão, principalmente nos joelhos. A aderência maior força mais o joelho. Vai progressivamente agredindo o ligamento até a hora em que ele rompe”.

O médico do Bahia diz que muitos jogadores do elenco do clube procuram dicas sobre chuteiras com ele. “Inclusive, oriento a eles que, quando comprarem uma chuteira, usem nos treinos antes. O certo é o jogador nunca usar uma chuteira nova no jogo”, aconselha Marcos Lopes.

E existem tipos de chuteira ideais para as características dos jogadores? “Depende da posição do atleta. Por exemplo, em jogador rápido como Pantico, a trava deve ser menor. Para jogador de defesa, geralmente, a trava deve ser maior. Isso muda quando está chovendo, aí a trava é sempre maior”, explica Marcos Lopes.

Para escapar – No entendimento de Marcos Lopes, não dá para detectar uma predisposição em um atleta para determinados tipos de lesão. “O que a gente sabe é que, quanto mais leve, mais magro, o jogador corre menor risco de lesão. Veja a quantidade de pancada que Pantico toma, raramente fica afastado. Naldinho era a mesma coisa. Quanto mais pesado e menos flexível o atleta, maior o risco de lesão”, explica.

O médico tenta dar a receita para que os jogadores-leitores de ATEC driblem as lesões. “Primeiro é preciso um bom condicionamento físico. O atleta bem condicionado tem um menor risco de lesão. Segundo, um espaço de tempo maior entre os jogos. Terceiro, um gramado de boa qualidade. Quarto, uma chuteira de boa qualidade e alongamentos e fortalecimentos musculares”.

“Na verdade, a gente tem que diferenciar atleta de jogador. Quanto mais atleta, menos lesão. Quanto mais jogador, mais lesão, finaliza Marcos Lopes.

Matéria publicada originalmente no Jornal A Tarde do dia 16/03/2008
LEANDRO SILVA
é jornalista esportivo e escritor, autor do livro A União de uma Nação, sobre o título brasileiro de 1988, conquistado pelo Bahia, e mantém o blog www.leandrosilva81.blogspot.com